É sempre a mesma coisa. A cada dois anos as noites que antecedem a eleição os candidatos aos cargos executivos fazem suas propostas no horário nobre da TV. "Que maçante. Perder a minha novela para ouvir papo furado" alguns podem pensar. Outros podem dizer: "vou desligar a TV e quando acabar essa propaganda depois eu ligo novamente". Nas conversas alguns podem dizer os pontos negativos e alguns raros positivos de quem está no poder e tenha reeleição. Outros podem dizer que determinado candidato é muito bom em determinados aspectos mas em outros deixam completamente a desejar. Outros ainda repudiam de tal forma determinada ideologia e condenam toda e qualquer idéia que venham dela. Mas uma coisa parece comum no pano de fundo de todos os comentários: a falta de esperança. Talvez porque nas campanhas dizem: "O outro eh incompetente. Eu sei fazer! Temos que mudar." e quando é dada a chance de fazer, percebe-se a mesma inabilidade da gestão anterior. Ah. Tem também o problema da desonestidade. Uns enchem a boca para dizer que fulano roubou mas no meu governo isso não vai acontecer, e novamente a história se repete. Há aqueles que se colocam numa postura de analistas e que são ferrenhos críticos, se limitando a isso. Há também outros que já cansados de tanto ouvir propostas e se decepcionarem, resolveram desistir, dizendo que não tem jeito. nunca vai mudar.
Esses olhares frente às eleições é um resumo de um quadro generalizado na vida social. As pessoas não acreditam que algo possa ser diferente. Se na política dizem que as coisas são assim, nas escolas, nas repartições públicas, universidades, empresas, associações, etc, isso não é diferente. Nesses lugares também pode pairar essa densa nuvem.
Mas voltando ao cenário das eleições. Imagino o quão frustrante possa ter sido para muitos as questões citadas acima. Mas parece que chegar a conclusão de que é impossível qualquer mudança, significa dizer que nós eleitores não temos forças, uma vez que quem se candidata são sempre os mesmos. Logo, já se sabe o que vão fazer. Já se sabe até que fulano vai roubar. São feitas piadas a respeito, como se fosse algo normal, que todos que estão no poder, fazem. "Fulano rouba, mas faz". É algo previsível. Estão no pacote. Estão no pacote as obras públicas feitas sem nenhum planejamento e deixadas durante anos inacabadas. Estão no pacote as políticas que favorecem quem tem mais influência. Estão no pacote as condições precárias de saúde e educação que nos obrigam a pagar plano de saúde e escola particular para não ficar desassistido. Estão no pacote que sempre vai ter violência e que tem que rezar que quem não cometa a violência seja a polícia. Estão no pacote os impostos absurdos que pagamos sem ter o retorno dos mesmos. Estão no pacote todas as legislações que servem de enfeite.
Foto do blog: http://plantasonya.blogspot.com
Me perdoem. Não quero pisar nesse cimento de secagem extra rápida da murmuração. Não quero pisar nessa areia movediça do comodismo. Não quero me afogar nesse mar de desesperança. Eu creio que isso pode mudar. Sim. Eu creio. Não creio que isso vai mudar quando chegar um presidente/ governador/ prefeito, etc, iluminado, porque ele tem essa ou aquela ideologia. Mas acredito que vai mudar, quando eu mudar. Quando eu passar a participar mais das questões do meu país/ estado/ cidade. Quando eu deixar meus comportamentos corruptos. Quando eu não somente criticar, mas me colocar à disposição para ajudar, para contribuir. Quando eu me importar mais com o outro. Já passei da fase de pensar que as mudanças ocorrem de cima para baixo. Isso realmente não vai acontecer. O presidente não vai me obrigar a pensar como ele. Mas se de baixo pra cima for criada uma cultura da honestidade, do comprometimento, da comunhão pelo bem comum, é possível que um dia o presidente faça o que as pessoas querem, pois já existe uma base. Obviamente isso não vai acontecer do dia pra noite como pensaram as pessoas que foram as ruas, sem um objetivo claro (foi o que eu vi). Tampouco eu sou ingênuo de pensar que as pessoas mudam esses comportamentos com rapidez. Não. Elas não mudam. Eu mesmo tenho muita coisa pra mudar. Tem o fato da liberdade de cada um. Alguns podem escolher a corrupção, podem escolher o comodismo, escolher a inércia. Sim, podem. Podem me chamar de sonhador, se eu for diferente disso, não estarei sendo eu mesmo. Como alguém que teve uma experiência pessoal com Jesus Cristo, preciso traduzi-la em gestos. Ter esperança e uma consequência dessa experiência. Transmiti-la é gratidão...
Aprendi essa frase de George Bernard Shaw:
"As pessoas vêem as coisas como são e perguntam 'por quê? Eu vejo as coisas como poderiam ser e pergunto. por quê não?"
Eu pergunto a você: O que você vê para o Brasil?
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