terça-feira, 23 de setembro de 2014

A culpa é do outro

A culpa é do motorista que me atropelou. Não é minha como pedestre só porque atravessei fora da faixa. A culpa é do prefeito que não manda limpar a rua. Não é minha, que jogo lixo fora do cesto. A culpa é dos políticos que governam mal este país. Não é minha, que acho que a responsabilidade não é somente deles. É culpa do fiscal que só quer me punir. Não é minha, que não me dou o trabalho de cumprir com minhas obrigações reguladas. É culpa da escola que não educa as crianças. Não é minha, que sou pai e não busco estar inteirado com a vida escolar do meu filho, nem me preocupo em ensinar valores. É culpa do outro que me provocou. Não é minha, que não me controlei. A culpa é das religiões. Não é de quem vive mal a sua religião. A culpa é da ideologia do outro. A minha é a solução. A culpa é dos corruptos. Não é minha que furo a fila ou pago propina.
A culpa é do outro, do outro, do outro... Nunca minha...

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

I have a Dream

They say they are happy because the dream of their lives is very high and God act above them.

Luquinhas, as they were and are known, the Renewed University Ministry members (MUR in portuguese), before called project (PUR) or Secretaria Lucas (from Luke, the evangelist. The word Luquinhas derived from Luke) , of the Catholic Charismatic Renewal, were motivated by an ideal. They called it Dream. What was this dream? Their attitudes seemed a bit diffident in some aspects to believe that they really had an ideal such as the revolutionary ones which arose along the history. What have they done? They prayed in groups called University Prayer groups (GOUs in portuguese). Their goal was to evangelize in the university through these groups. They believe that this experience would lead those who participated in, to be a better person and that once the student had an encounter with God, he/she would translate this experience in the daily life of the society, exerting their job ethically and under the gospel light.

The fact that they were in an university was contradictory. It seems that living a faith, specially christian and catholic, considered by many as a hindrance to free thinking, was too audacious, to the point of challenge the intelligence of some people as well as the status quo that faith and reason were dichotomous.

The most intriguing issue was the twinkle in the eye that characterized them. This twinkle, according to them was not simply a personal decision of them, but the encounter with somebody that changed the way of living and think.

Would this experience be called a dream? Apparently it was an intimate one. Would it bear the fruit proposed? or would it be an utopia?

Despite the questions this Dream completes 20 years.
From Viçosa, countryside of state of Minas Gerais, ir reached the whole Brazil and even some places of the world. Generations pass by, new ones arise and it remains there, questioning and being questioned, disquieting, being target of controversies in a so difficult environment, but seeking the fulfillment of their mission.

Nevertheless i'm not an observer. I'm a witness. Once I was reached by this dream. It started for mw in a different way. I was watching a TV report showing a conference specific for university students organized by the church. At that time it was called national conference of catholic charismatic university students (from portuguese (ENUCC). I saw them praying for on another and I liked that. I thought: When I enter the university I'll creat a group like these. I had no idea what was that like, but I wanted.
I lived this reality. I was 17 that time. A naive and immature teenager in a jungle of knowledge and relativism that was the university. I could have an experience with God, get mature with it, deepen with it, and also dream with a new world and figure out myself exerting a profession with ethics and love. It motivated me to be a better person and to do differently because I also have had an encounter with someone who changed my way of thinking, and also of living. I could look for differential skills because God made me unquiet  through the dream. Yes. I had a dream.
Time passed by and I still have a dream. I lived and I live many challenges. Each day a challenge bigger than the day before. But the one who generates dreams is bigger than the challenges. I made many friends in the whole Brazil, who are a family I can count on.

After 20 years in the place were it had begun, in the Federal University of Viçosa, and seeing many generations making the dream real, there's no way of not being grateful to God who gave me the dream and made me who I am. In a world where everybody is motivated to despair, I was motivated to dream a dream thar filled my life and has consequence in other people's lives. Today the fruits of this dream can be seen in the companies, in the universities, in public institutions... If I am a pharmacist who wants to work with love and is not satisfied with anything less than the highest ideals, knowing my job can change somebody's life, is because in my life existed renewed universities.















segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Não tem jeito???

É sempre a mesma coisa. A cada dois anos as noites que antecedem a eleição os candidatos aos cargos executivos fazem suas propostas no horário nobre da TV. "Que maçante. Perder a minha novela para ouvir papo furado" alguns podem pensar. Outros podem dizer: "vou desligar a TV e quando acabar essa propaganda depois eu ligo novamente". Nas conversas alguns podem dizer os pontos negativos e alguns raros positivos de quem está no poder e tenha reeleição. Outros podem dizer que determinado candidato é muito bom em determinados aspectos mas em outros deixam completamente a desejar. Outros ainda repudiam de tal forma determinada ideologia e condenam toda e qualquer idéia que venham dela. Mas uma coisa parece comum no pano de fundo de todos os comentários: a falta de esperança. Talvez porque nas campanhas dizem: "O outro eh incompetente. Eu sei fazer! Temos que mudar." e quando é dada a chance de fazer, percebe-se a mesma inabilidade da gestão anterior. Ah. Tem também o problema da desonestidade. Uns enchem a boca para dizer que fulano roubou mas no meu governo isso não vai acontecer, e novamente a história se repete. Há aqueles que se colocam numa postura de analistas e que são ferrenhos críticos, se limitando a isso. Há também outros que já cansados de tanto ouvir propostas e se decepcionarem, resolveram desistir, dizendo que não tem jeito. nunca vai mudar. 

Esses olhares frente às eleições é um resumo de um quadro generalizado na vida social. As pessoas não acreditam que algo possa ser diferente. Se na política dizem que as coisas são assim, nas escolas, nas repartições públicas, universidades, empresas, associações, etc, isso não é diferente. Nesses lugares também pode pairar essa densa nuvem.

Mas voltando ao cenário das eleições. Imagino o quão frustrante possa ter sido para muitos as questões citadas acima. Mas parece que chegar a conclusão de que é impossível qualquer mudança, significa dizer que nós eleitores não temos forças, uma vez que quem se candidata são sempre os mesmos. Logo, já se sabe o que vão fazer. Já se sabe até que fulano vai roubar. São feitas piadas a respeito, como se fosse algo normal, que todos que estão no poder, fazem. "Fulano rouba, mas faz". É algo previsível. Estão no pacote. Estão no pacote as obras públicas feitas sem nenhum planejamento e deixadas durante anos inacabadas. Estão no pacote as políticas que favorecem quem tem mais influência. Estão no pacote as condições precárias de saúde e educação que nos obrigam a pagar plano de saúde e escola particular para não ficar desassistido. Estão no pacote que sempre vai ter violência e que tem que rezar que quem não cometa a violência seja a polícia. Estão no pacote os impostos absurdos que pagamos sem ter o retorno dos mesmos. Estão no pacote todas as legislações que servem de enfeite.

Foto do blog: http://plantasonya.blogspot.com

Me perdoem. Não quero pisar nesse cimento de secagem extra rápida da murmuração. Não quero pisar nessa areia movediça do comodismo. Não quero me afogar nesse mar de desesperança.  Eu creio que isso pode mudar. Sim. Eu creio. Não creio que isso vai mudar quando chegar um presidente/ governador/ prefeito, etc, iluminado, porque ele tem essa ou aquela ideologia. Mas acredito que vai mudar, quando eu mudar. Quando eu passar a participar mais das questões do meu país/ estado/ cidade. Quando eu deixar meus comportamentos corruptos. Quando eu não somente criticar, mas me colocar à disposição para ajudar, para contribuir. Quando eu me importar mais com o outro. Já passei da fase de pensar que as mudanças ocorrem de cima para baixo. Isso realmente não vai acontecer. O presidente não vai me obrigar a pensar como ele. Mas se de baixo pra cima for criada uma cultura da honestidade, do comprometimento, da comunhão pelo bem comum, é possível que um dia o presidente faça o que as pessoas querem, pois já existe uma base. Obviamente isso não vai acontecer do dia pra noite como pensaram as pessoas que foram as ruas, sem um objetivo claro (foi o que eu vi). Tampouco eu sou ingênuo de pensar que as pessoas mudam esses comportamentos com rapidez. Não. Elas não mudam. Eu mesmo tenho muita coisa pra mudar. Tem o fato da liberdade de cada um. Alguns podem escolher a corrupção, podem escolher o comodismo, escolher a inércia. Sim, podem. Podem me chamar de sonhador, se eu for diferente disso, não estarei sendo eu mesmo. Como alguém que teve uma experiência pessoal com Jesus Cristo, preciso traduzi-la em gestos. Ter esperança e uma consequência dessa experiência. Transmiti-la é gratidão...

Aprendi essa frase de George Bernard Shaw:

"As pessoas vêem as coisas como são e perguntam 'por quê? Eu vejo as coisas como poderiam ser e pergunto. por quê não?"



Eu pergunto a você: O que você vê para o Brasil?



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Eu tenho um sonho...

Eles me disseram que são felizes porque colocaram alto o Sonho de suas vidas, e que Deus trabalha acima dos seus Sonhos.

Luquinhas, como eram e são conhecidos até hoje, os membros do Ministério Universidades Renovadas (MUR), antigamente chamado projeto (PUR) ou secretaria Lucas (daí o nome), da Renovação Carismática Católica, eram motivados por um ideal, que eles chamam de sonho. Qual era esse sonho? Suas atitudes pareciam um pouco tímidas em alguns aspectos para acreditar que eles realmente tinham um ideal tal como as idéias revolucionárias que surgiram ao longo da história. O que eles faziam? Rezavam em grupos chamados GOUs (Grupos de Oração Universitários). Sua meta era evangelizar na universidade através destes grupos. Acreditavam que essa experiência poderia levar quem dela participasse a ser uma pessoa melhor, e uma vez que esse estudante encontrasse com Deus, ele poderia traduzir aquela experiência no dia-a-dia da sociedade, exercendo sua profissão de modo ético e à luz do evangelho.

Ainda, o fato de estarem em uma universidade era algo contraditório. Parece que o viver a fé, especialmente a cristã e católica, considerada por muitos como um empecilho ao livre pensamento, parecia um tanto audacioso demais, chegando a desafiar a inteligência de alguns, bem como o status quo de que fé e razão são dicotômicas.


O que mais intrigava é que eles tinham e tem um brilho no olhar que os caracteriza. Esse brilho no olhar, que segundo eles, não partiu de uma decisão pessoal simplesmente, mas do encontro com alguém, que mudou seu modo de viver e pensar.

Poderia se chamar essa experiência de Sonho? Aparentemente era uma experiência intimista. Será que ela geraria os frutos que se propunha? Ou seria uma utopia?

A despeito dos questionamentos, esse Sonho, completa 20 anos...
De Viçosa em Minas Gerais, este sonho alcançou o Brasil inteiro. Até mesmo vários lugares do mundo. Passam gerações, novas gerações chegam, e ele permanece ali, questionado e questionando, inquietando, sendo alvo de controvérsias num ambiente tão difícil, mas buscando cumprir sua missão...

Entretanto não sou um observador. Sou testemunha. Um dia eu também fui alcançado por esse Sonho. Ele começou bem diferente, com uma reportagem num programa de TV. Eu vi alguns estudantes universitários num encontro de igreja específico para eles (na época, Encontro Nacional de Universitários Católicos Carismáticos - ENUCC). Vi uns rezando pelos outros nessa reportagem e eu achei aquilo legal. Pensei: Quando eu entrar na universidade eu vou criar um grupo desse. Não fazia a mínima idéia do que era aquilo, mas eu queria.
E vivi toda essa realidade. Na época eu tinha 17 anos. Um adolescente imaturo, ingênuo, numa selva de conhecimento e relativismo, que era a universidade. Eu pude ali beber da experiência com Deus, pude amadurecer nela, aprofundá-la e também sonhar com um mundo novo, me ver exercendo minha profissão com ética e amor. Ela me motivou a ser melhor, a querer fazer diferente, porque ali eu também tive um encontro com alguém que mudou meu modo de pensar. Pude buscar diferenciais porque Deus me inquietava através do Sonho. Sim. Eu sonhava...
O tempo passou, e eu ainda sonho. Vivi e vivo muitos desafios. Cada dia um maior do que o do dia anterior. Mas quem gera os sonhos é maior do que o desafio. Ganhei muitos amigos no Brasil inteiro, uma grande família que sei que posso contar.

Completando 20 anos no lugar onde ele começou, na Universidade Federal de Viçosa, e vendo tantas gerações, concretizando o que diziam ser o sonho, não tem como não ser grato a Deus, que me deu o sonho e fez quem sou hoje. Vendo frutos desse sonho nas empresas, nas universidades, nas instituições públicas... Se sou um Farmacêutico que quer trabalhar com amor e não se contenta com nada menos que os mais altos ideais, sabendo que meu trabalho pode mudar a vida de alguém, é porque existiu na minha história universidades renovadas.

Num mundo onde todos são motivados a de desesperar, eu fui motivado a Sonhar um sonho que encheu a minha vida, e que tem consequência na vida de outros...