quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Ninguém quer perder


Belém, 25 de Outubro de 2018

Queridos amigos,

Gostaria de compartilhar com vocês uma preocupação que eu tenho. Não é uma preocupação que eu tenho de um fascista, misógino, homofóbico e contra os direitos humanos se tornar o próximo presidente. Não. Também não é pra falar da preocupação de um candidato de um partido que não diferiu em nada de outros partidos em termos de corrupção, cujos valores contra a vida de nascituros, de ideologia socialista, ser o próximo presidente. Definitivamente, não.

A paixão com que as pessoas tem abraçado uma das duas opções disponíveis para esse segundo turno das eleições de 2018 do Brasil, tem gerado muito desgaste. O medo com o que pode acontecer é notório, e uma guerra se instalou! Não se instalou entre os partidos. Se instalou entre as pessoas. Vi pessoas rompendo relações com quem pretende votar no candidato diferente do seu. Vi pessoas agredindo outras, verbalmente, por conta disso. Essa postura vai realmente ajudar em algo? Vai ajudar eu bradar: #EleNão ou #EleSim, e tentar ganhar no grito, para mudar o país?

Me preocupo não com as eleições: Mas com o fim delas. As relações já estremecidas pelos discursos de ódio (Sim: de um lado e de outro) serão as mesmas? Fico pensando no clima de cisão dos vários grupos por conta das propostas de ambos os candidatos. Essas propostas geraram em nós o medo uns dos outros. Infelizmente alguém que votar no Haddad será acusado de ser a favor do comunismo, da ideologia de gênero, do aborto, etc, e portanto deve ser tratado como um inimigo. De igual modo, quem votar no Bolsonaro será taxado de ser alguém a favor da violência, da tortura, fascista etc, não será tratado de outro modo. As pessoas são isso mesmo? Algumas podem até ser. Mas percebo uma certa dificuldade de fazer essa separação. Fico imaginando no início do mandato do próximo presidente o clima entre as pessoas com as novas determinações. Os comentários sarcásticos que serão feitos pelos adeptos da oposição, e mesmo da situação. Que feio. Que ambiente tóxico.

Não há respeito. E isso começa entre nós! Começa aqui de baixo. As pessoas não conseguem ter a capacidade de ouvir o outro sem emitir reação alguma em respeito à sua opinião, por absurda e até chocante que isso pareça. Ela Sempre quer uma chance de dizer que o outro está errado. Isso acontece com todo mundo. Hoje isso é principalmente político, mas acontece em todos os contextos e ambientes. TODOS! Até mesmo quem reclama que não é ouvido, não quer ouvir. Não diálogo. Não se ouve o outro. Não se procura chegar a um concenso. Por exemplo: Grupos influenciam decisões nas legislações por seus interesses, e ninguém abre mão deles. Ninguém é capaz de considerar os valores e até mesmo as necessidades de outros grupos. Todos querem impor seus próprios interesses, e ai de quem discordar deles. 

Fala-se m Paz, qué começa no respeito. Infelizmente não vejo respeito. Não há respeito ao progressista, nem ao conservador. Um não respeita o outro. O objetivo é se impor sobre o outro. Ninguém quer perder... Estamos, como sempre estivemos, divididos. Quem ganha com isso? Deus nos ajude

terça-feira, 9 de outubro de 2018

A liberdade que não tenho, e a que eu tenho...



Já há um bom tempo se tem falado da liberdade de pensamento, escolhas, posturas e tudo o mais. Com isso, as pessoas passaram a adotar estilos de vida, valores, atitudes, alternativos ao que se considerava até então certo em diversos contextos. Dessa forma, se o caminho de todos era o casamento, por exemplo, alguém poderia dizer que não queria casar e pronto. Qualquer determinismo a partir de então tornava-se inaceitável.

Dessa maneira, gostaria de fazer uma análise. Todos são livres pra pensar o que quiserem sobre o que quiserem. A própria mídia, como algumas redes de comunicação promovem o respeito sobre essa diversidade de pensamento. Contudo, percebo que esse respeito que é promovido tem um limite: Quando alguém discorda da minha ideia.

As redes sociais têm sido palco de impiedosos comentários direcionados a pessoas que tem opiniões divergentes, e até a pessoas que procuram fazer ponderações nos discursos. Se alguém expõe sua opinião, e outro discorda dela, especialmente em alguma questão polêmica, parece que é um dever procurar fazer a pessoa mudar de opinião de qualquer jeito. Inicia-se então uma discussão interminável, onde só Deus sabe como e quando vai acabar. É claro que existem idéias de diversas naturezas, e que naturalmente vão se chocar com outras idéias de outras naturezas. Haverão incompatibilidades. Mas me pergunto se essas incompatibilidades justificam agressões.

Após o resultado do primeiro turno das eleições de 2018 no Brasil, há um clima tenso para saber quem será o próximo presidente. As idéias dos dois candidatos que disputam o segundo turno, são as mais divergentes, possíveis. Seus adeptos já declararam guerra ao outro candidato. Adeptos do candidato contrário são acusadas de serem pessoas sem inteligência, desprovidas de raciocínio, preconceituosas, ou outro adjetivo que julguem adequado. Observo o cenário e me entristeço. Esse respeito, tolerância pregado por muitos desses envolvidos nessas discussões, sumiu. É claro que nesse contexto atual, não se fala em outra coisa, mas esse desrespeito continua em outros âmbitos, que não o político.

Independente do teor do seu pensamento, as pessoas não seriam livres para expressar sua escolha? Elas não podem ter uma idéia sobre determinado assunto? Essa idéia não pode ser diferente da minha? Na teoria, sim. Na prática, isso não existe. A liberdade só é válida se o outro concorda comigo. E se o outro não concorda comigo, não há mais diálogo. As pessoas não conversam mais. Não ouvem o que o outro tem a dizer, suas inquietações, seus dramas. Não querem mais. Não há mais a troca de idéias. Há a guerra para vencer o outro. Infelizmente.

Vou contar uma postura que eu decidi adotar. Tenho opinião formada sobre vários assuntos. Já fui de me manifestar mais publicamente sobre eles. Hoje, faço pouco. Conheço pessoas que pensam diferente de mim sobre vários desses assuntos. Um desses assuntos é o Aborto. Não sou a favor. Mas há quem seja. Alguns colocam os argumentos de serem a favor da maneira que julgam ser a mais adequada, ainda que eu discorde, e que até me choque. Qual a minha postura diante disso? Apenas observo. São livres para se manifestarem como quiserem. Vejo cada coisa que pessoalmente considero absurda, mas respeito o direito do outro de se manifestar. Contudo, não estou certo de que terei essa reciprocidade. Não sei se, se eu colocar os meus argumentos, sejam eles quais forem, eu serei respeitado. Mas honestamente, não espero que o outro que discorde de mim tenha a mesma postura que eu em relação a isso, afinal, ele também é livre pra querer me convencer da sua idéia. E  parece, diante disso, que eu não sou livre pra pensar o que eu quiser...

Apesar de tudo isso, quero tomar a seguinte resolução. Quero ouvir quem pensa diferente de mim quero tomar um café com essa pessoa, quero ser amigo dela. Quero conversar sobre viagens, lazeres, filmes, livros. Quero também falar de desafios, controvérsias, futuro, esperança, projetos... A pessoa que pensa diferente de mim, não é um monstro. Ela é mais do que sua opinião, e eu quero conviver com ela, mesmo que a sua idéia não me agrade. Eu não quero excluir ela. Não quero o mal dela. Não quero ofendê-la. Quero, pelo contrário, o bem dela. Sou livre para querer isso.  Sou livre pra escolher isso. E ninguém pode me impedir. Essa é a minha escolha... qual a sua?