quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Encontros, Reencontros e Recomeços



Minha última postagem foi exatamente nessa época de círio, há dois anos. Escrevo essa postagem ao acompanhar pela TV a procissão do Círio 2016. Não sei se considero esse texto uma postagem, ou uma oração. Você escolhe. É incrível como para um paraense, ainda que não necessariamente nascido em Belém como é o meu caso, o Círio é ocasião mais que oportuna para encontros, reencontros e recomeços.
Encontros. Ontem ao estar na trasladação junto com minha irmã pude observar tantos rostos se encontrando, percebi um homem com um código civil, outro com uma casinha na cabeça, entre muitos. Fiquei pensando na quantidade de histórias que se entrelaçam no círio. Pessoas que vêm pedir e agradecer. Pedir e agradecer pela saúde, pela casa, pelo emprego, pela alheia e pela própria conversão. Esta última talvez mais demorada e morosa de se obter.
Reencontros. Talvez não passe despercebido a quantidade de pessoas que estão nas ruas durante a procissão, e comparar com a participação e engajamento pastoral ao longo do ano nas muitas paróquias de Belém. De onde saíram, já que não estão nas paróquias? Pouco importa a resposta. O fato é que elas vêm ao encontro da Mãe, que está a espera de todos! Sim, de todos. Quem está ali, esperando a passagem da imagem peregrina? Pessoas que talvez há tanto tempo sem participar de uma missa por diversos motivos: por não se considerarem dignas talvez, por se considerarem rejeitadas por escolhas, por entender que aquele conjunto de valores ensinado pela Igreja não mais se aplicam à sua vida, por terem mágoas com pessoas, ou por não terem tempo devido o trabalho, enfim, tantos motivos. Essas pessoas estão ali. Esperando a “Nazinha”. Ou melhor, é Ela que está esperando cada um, com tudo o que trazem, independente de como estão: se são pessoas ricas, pobres, educadas, formadas, íntegras ou não, com caráter ou não, justas ou não, que lutam para buscar a santidade, ou não. Todos são filhos... Filhos que encontram com a mãe. É impossível ficar indiferente e não se emocionar, por saber que mesmo distantes, a mãe vêm ao encontro deles. Não somente vem ao encontro, mas os arrasta para aquele mar de Amor, para reencontrar o Amor que está em seu colo.
Recomeços. Observar o círio me faz olhar a misericórdia de Deus, que acolhe a simplicidade das pessoas, como as citadas no último parágrafo, que vêem nessa festa sua oportunidade de aproximação com Deus, como uma redenção, como a cena da pecadora que chega aos pés de Jesus e chora, lavando os pés dEle e enxugando-os com seus cabelos. Me faz pensar também na minha vida como homem que caminha para a vida consagrada, e refletir como tenho vivido. Acaba de certa forma sendo muito comum para mim e para muitos que têm vocação para a vida consagrada e a assumem, estar nesses momentos. Sabemos falar argumentos querigmáticos, catequéticos, teológicos... Mas esses momentos de círio nos desconcertam. Essas pessoas são alcançadas de um modo tão forte por Deus através de Maria, através de um momento que para nós seria talvez mais uma procissão, mais um evento dos milhares que já participamos. Me perdoem a audácia da comparação, mas talvez uma migalha de um banquete. Mas para a grande maioria dos romeiros é o momento, é o encontro, é talvez uma migalha sim, mas que sacia, que preenche, que os fazem se sentir amados. De fato, isso me faz questionar minha postura, e desejar amar mais. Ir ao encontro, como a Mãe vai, misericordiar, como Deus faz com o povo paraense através do círio.
É círio outra vez...

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