Já há um bom tempo se tem falado da liberdade de pensamento, escolhas, posturas e tudo o mais. Com isso, as pessoas passaram a adotar estilos de vida, valores, atitudes, alternativos ao que se considerava até então certo em diversos contextos. Dessa forma, se o caminho de todos era o casamento, por exemplo, alguém poderia dizer que não queria casar e pronto. Qualquer determinismo a partir de então tornava-se inaceitável.
Dessa maneira, gostaria de fazer uma análise. Todos são livres pra pensar o que quiserem sobre o que quiserem. A própria mídia, como algumas redes de comunicação promovem o respeito sobre essa diversidade de pensamento. Contudo, percebo que esse respeito que é promovido tem um limite: Quando alguém discorda da minha ideia.
As redes sociais têm sido palco de impiedosos comentários direcionados a pessoas que tem opiniões divergentes, e até a pessoas que procuram fazer ponderações nos discursos. Se alguém expõe sua opinião, e outro discorda dela, especialmente em alguma questão polêmica, parece que é um dever procurar fazer a pessoa mudar de opinião de qualquer jeito. Inicia-se então uma discussão interminável, onde só Deus sabe como e quando vai acabar. É claro que existem idéias de diversas naturezas, e que naturalmente vão se chocar com outras idéias de outras naturezas. Haverão incompatibilidades. Mas me pergunto se essas incompatibilidades justificam agressões.
Após o resultado do primeiro turno das eleições de 2018 no Brasil, há um clima tenso para saber quem será o próximo presidente. As idéias dos dois candidatos que disputam o segundo turno, são as mais divergentes, possíveis. Seus adeptos já declararam guerra ao outro candidato. Adeptos do candidato contrário são acusadas de serem pessoas sem inteligência, desprovidas de raciocínio, preconceituosas, ou outro adjetivo que julguem adequado. Observo o cenário e me entristeço. Esse respeito, tolerância pregado por muitos desses envolvidos nessas discussões, sumiu. É claro que nesse contexto atual, não se fala em outra coisa, mas esse desrespeito continua em outros âmbitos, que não o político.
Independente do teor do seu pensamento, as pessoas não seriam livres para expressar sua escolha? Elas não podem ter uma idéia sobre determinado assunto? Essa idéia não pode ser diferente da minha? Na teoria, sim. Na prática, isso não existe. A liberdade só é válida se o outro concorda comigo. E se o outro não concorda comigo, não há mais diálogo. As pessoas não conversam mais. Não ouvem o que o outro tem a dizer, suas inquietações, seus dramas. Não querem mais. Não há mais a troca de idéias. Há a guerra para vencer o outro. Infelizmente.
Vou contar uma postura que eu decidi adotar. Tenho opinião formada sobre vários assuntos. Já fui de me manifestar mais publicamente sobre eles. Hoje, faço pouco. Conheço pessoas que pensam diferente de mim sobre vários desses assuntos. Um desses assuntos é o Aborto. Não sou a favor. Mas há quem seja. Alguns colocam os argumentos de serem a favor da maneira que julgam ser a mais adequada, ainda que eu discorde, e que até me choque. Qual a minha postura diante disso? Apenas observo. São livres para se manifestarem como quiserem. Vejo cada coisa que pessoalmente considero absurda, mas respeito o direito do outro de se manifestar. Contudo, não estou certo de que terei essa reciprocidade. Não sei se, se eu colocar os meus argumentos, sejam eles quais forem, eu serei respeitado. Mas honestamente, não espero que o outro que discorde de mim tenha a mesma postura que eu em relação a isso, afinal, ele também é livre pra querer me convencer da sua idéia. E parece, diante disso, que eu não sou livre pra pensar o que eu quiser...
Apesar de tudo isso, quero tomar a seguinte resolução. Quero ouvir quem pensa diferente de mim quero tomar um café com essa pessoa, quero ser amigo dela. Quero conversar sobre viagens, lazeres, filmes, livros. Quero também falar de desafios, controvérsias, futuro, esperança, projetos... A pessoa que pensa diferente de mim, não é um monstro. Ela é mais do que sua opinião, e eu quero conviver com ela, mesmo que a sua idéia não me agrade. Eu não quero excluir ela. Não quero o mal dela. Não quero ofendê-la. Quero, pelo contrário, o bem dela. Sou livre para querer isso. Sou livre pra escolher isso. E ninguém pode me impedir. Essa é a minha escolha... qual a sua?
As pessoas não mudaram seus valores. Elas só tem um espaço em q elas podem falar sem estarem submetidas ao olhar do outro, sem elas terem q lidar com toda a carga emocional gerada em um diálogo presencial. Aliás acho q não sabemos dialogar. Isso só ficou mais claro com o advento das redes sociais.
ResponderExcluirAs pessoas não querem ouvir, querem ser ouvidas, talvez nem isso, só querem falar mesmo.
Isso sem contar q muitas opiniões não tem bases em fatos, em evidências, mas nos seus sentimentalismos e vontades.
O discurso é intolerante sobre intolerância.
Discute-se sobre homofobia, aborto, preconceito racial, de classes, assedio moral...mas ninguém consegue enxergar o crime contra a natureza humana. Pois o que querem é satisfazer suas vontades como se o mundo, a vida, devesse alguma coisa para cada indivíduo.
Planta-se joio e se quer colher trigo. Mas se nasce o joio Deus é mau, religião é alienante, não teve oportunidade, o país tá uma droga.... Mas nunca admite -se q escolheu plantar joio. Que a escolha foi errada.
Pq só se dá atenção aquilo que lhe interessa: teus pecados estão perdoados. Ninguém escuta o "não tornes a pecar"
Aceitar o outro é dom de Deus. Que pelo seu amor nos impulsiona a amar como ele nos ama. E amar requer abandono de si e ninguém (generalizando) está disposto a "se perder".
San, vc é sempre luz em meio ao caos. Admiro sua postura e tenho adotado o mesmo em minha vida. Respeito é algo que comeca em mim e se estende ao outro.
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